LVNT – Relatório ORBX39
Analistas: Caroline Sanchez CNPI 9267 e Eduardo Rahal CNPI-T 8204
Gestora
A Global X ETFs é uma gestora global especializada em fundos de índice, com atuação voltada ao desenvolvimento de soluções de investimento diversificadas, acessíveis e negociadas em bolsa. No Brasil, a Global X Brasil é autorizada pela CVM e oferece aos investidores locais acesso a diferentes estratégias internacionais por meio de ETFs e BDRs de ETFs listados na B3, com foco em diversificação geográfica, exposição a tendências globais e construção eficiente de portfólios. A plataforma da gestora contempla estratégias temáticas, renda, commodities, ativos digitais, mercados globais e setores ligados à inovação, permitindo exposição a segmentos como tecnologia disruptiva, infraestrutura digital, inteligência artificial e outras transformações estruturais da economia. Globalmente, a Global X ETFs tem sede em Nova York, presença na Europa, Ásia e América Latina, equipe com mais de 200 profissionais e aproximadamente US$ 125 bilhões em ativos sob gestão em ETFs listados no mundo. A companhia integra o Mirae Asset Financial Group, grupo financeiro global com sede em Seul, mais de US$ 729 bilhões em ativos sob gestão e ampla presença internacional, o que reforça sua capacidade de distribuição, pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Benchmark
O Global X Space Tech Index é um índice global de ações desenvolvido pela própria Global X para representar o desempenho das principais empresas na vanguarda do crescimento e comercialização da tecnologia espacial global. O universo engloba companhias envolvidas na fabricação de componentes, foguetes reutilizáveis, transporte orbital, exploração espacial e serviços de comunicação e de data centers via satélite. A metodologia aplica critérios mínimos de capitalização de mercado e liquidez, além de filtros de receita de forma a abranger empresas pure play (mais de 50% da receita deve vir dos segmentos citados). A ponderação considera o valor de mercado das ações em free float na data de rebalanceamento com um limite máximo de 20% para a maior empresa do universo elegível e 10% para as outras empresas. O índice é rebalanceado trimestralmente e contabilizado em dólar

Fundo
O ORBX39 é o BDR do Global X Space Tech ETF (ORBX), que replica o Global X Space Tech Index e reúne as principais empresas listadas ligadas ao crescimento e comercialização de aplicações tecnológicas espaciais, desde a fabricação de componentes e foguetes a comercialização de serviços de telecomunicações via satélite. A tese se apoia na queda dos custos, no aumento dos lançamentos orbitais e no crescimento aplicações militares e civis, desde internet de banda larga e telefonia móvel a sistemas de navegação e observação. O veículo oferece, em um único ativo negociado na B3, exposição diversificada a dezenas das principais empresas na vanguarda tecnológica espacial, com exposição cambial.

Tese de Investimento – Indústria Espacial
Redução de custos e expansão da infraestrutura
orbital
A evolução dos veículos comerciais reduziu de forma relevante uma das principais barreiras econômicas do setor espacial. Segundo estimativas compiladas pela NASA, o custo para colocar carga em órbita baixa caiu de aproximadamente US$ 61,7 mil por quilograma no Space Shuttle para US$ 2,7 mil no Falcon 9 e US$ 1,4 mil no Falcon Heavy. Essa redução, combinada à reutilização de foguetes, à miniaturização dos satélites e à disseminação de missões compartilhadas, ampliou a viabilidade de lançamentos recorrentes e constelações de maior escala. O número de lançamentos de satélites comercialmente contratados passou de 59 em 2012 para 296 em 2025, enquanto a base de satélites operacionais avançou de 3.371 em 2020 para 14.266 em 2025. A expansão da cadência de implantação transformou a infraestrutura orbital em uma plataforma crescente para conectividade, navegação, observação terrestre e transmissão de dados.

Expansão do mercado endereçável de satélites LEO
O crescimento da infraestrutura orbital amplia a capacidade disponível para novas aplicações comerciais, especialmente em conectividade. A Goldman Sachs estima que o mercado global associado a satélites em órbita baixa possa avançar de aproximadamente US$ 15 bilhões em 2024 para US$ 108 bilhões até 2035 em seu cenário-base. A expansão deverá ser inicialmente sustentada pela banda larga em regiões com infraestrutura terrestre limitada, com diversificação posterior para telefonia móvel, automóveis conectados, transporte marítimo, aviação e aplicações de realidade aumentada e virtual. O cenário depende da continuidade da redução de custos, da expansão das constelações e da queda dos preços cobrados dos usuários. Ainda assim, a combinação entre maior escala orbital e ampliação das aplicações indica que a indústria passa de uma estrutura concentrada em lançamentos para um ecossistema de serviços e infraestrutura de comunicação.

Por que o ORBX39/ORBX?
O ORBX oferece uma forma direcionada e diversificada de acessar a comercialização da economia espacial em uma única posição. O ETF replica o Global X Space Tech Index, restringe a exposição às empresas que possuem ao menos 50% de suas receitas ligadas ao setor, focando a exposição em companhias pure play. A carteira reúne negócios de foguetes reutilizáveis e sistemas de lançamento, tecnologias e componentes espaciais, telecomunicações e serviços de dados por satélite, além de transporte, turismo e exploração espacial. Entre as principais posições estão SpaceX, AST SpaceMobile e Rocket Lab, combinando empresas mais estabelecidas com companhias expostas à expansão de constelações, conectividade e infraestrutura orbital. Com 37 empresas, patrimônio de US$ 45 milhões e taxa de 0,50% ao ano, o veículo distribui a exposição entre diferentes elos e geografias da cadeia. No Brasil, o ORBX39 permite acessar a estratégia do ORBX pela B3, em reais, mantendo exposição às variações cambiais.




Leitura da exposição
O ORBX39 oferece exposição à cadeia de tecnologia espacial, reunindo empresas de lançamentos, satélites, componentes, conectividade e dados. É um veículo concentrado: as dez maiores posições somam cerca de 72% do portfólio, com a SpaceX próxima de 19%, seguida por AST SpaceMobile e Rocket Lab, ambas ao redor de 10%. No recorte geográfico, predominam Estados Unidos (~77%), seguidos por Luxemburgo e Canadá (~5% cada) e Japão (~3%), combinando concentração nos EUA com diversificação entre outros polos espaciais.


Leitura Levante
Na nossa avaliação, o ORBX39 é o veículo mais direto na B3 para capturar a tese estrutural da economia espacial. O BDR replica o Global X Space Tech Index e reúne, em um único ativo, empresas pure-play de toda a cadeia espacial, de fabricação de componentes e foguetes reutilizáveis a transporte orbital, satélites, conectividade e serviços de dados, exigindo que cada companhia derive ao menos 50% da receita desses segmentos. A tese se apoia na queda dos custos de lançamento, no aumento dos lançamentos orbitais e no crescimento das aplicações civis e militares, de internet de banda larga e telefonia móvel a sistemas de navegação e observação da Terra. A carteira é concentrada e de perfil agressivo: as dez maiores posições somam cerca de 72% do fundo, com destaque para SpaceX (~19%), AST SpaceMobile e Rocket Lab (~10% cada). No recorte geográfico, há forte predominância dos Estados Unidos (~77%), seguidos por Luxemburgo e Canadá (~5% cada) e Japão (~3%), combinando concentração no principal polo espacial com alguma diversificação internacional. Trata-se de um portfólio de crescimento, com muitas companhias ainda em estágio pré-lucro, o que se reflete em múltiplos elevados (P/L ponderado acima de 200x e ROE de cerca de 2%) e em alta sensibilidade a juros e ao apetite por risco. Por ser um fundo recém-lançado (abril de 2026) e ainda de patrimônio reduzido, o histórico de desempenho é curto e deve ser lido com cautela. Dessa forma, entendemos o ORBX39 como posição satélite em portfólios diversificados, adequada a investidores com horizonte longo e tolerância a drawdowns expressivos. A exposição faz sentido para quem deseja participar da comercialização da economia espacial, ciente de que a forte concentração em poucos nomes, o estágio inicial de várias investidas e o efeito cambial sobre o BDR tendem a amplificar as oscilações de curto prazo. Recomendamos dimensionar a alocação de forma compatível com esse perfil de risco e acompanhar a evolução de liquidez e dos fundamentos das principais posições.
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