Onde investir após a alta de 15% do Ibovespa?

Mantemos nossa visão positiva com os ativos locais. A queda dos juros é o principal
evento do primeiro semestre. A eleição presidencial é o principal evento do ano. 2026
está sendo um ano positivo, mas apenas para a bolsa. Acreditamos que 2026 ainda
deve ser positivo para as demais classes de ativos, como FIIs e Renda Fixa. Estamos
adicionando BSIL39 (Global X Silver Miners ETF) na carteira de alocação.

Introdução

2026 está sendo um bom ano para os ativos brasileiros, principalmente para o
Ibovespa. Depois da alta de 15% do Ibovespa, onde vale a pena investir? Em
nossa visão, a alta do Ibovespa continuou sendo impulsionada pela realocação
global dos fundos, com maior alocação em países emergentes como o Brasil e
menor alocação nos EUA.
Olhando pra frente, ainda acreditamos que a queda dos juros deve ser um
catalisador importante para os ativos brasileiros. As eleições também têm o
potencial de gerar folego novo para os ativos, incluindo renda fixa e fundos
imobiliários.
Neste cenário, a renda fixa pré-fixada e os fundos imobiliários seguem sendo
boas alternativas de investimento. Historicamente, esses ativos tiveram
desempenho bastante superior ao CDI em momentos de queda da Selic e
mesmo nos meses que antecederam o início dos cortes de juros. Apesar do
desempenho recente destes ativos ter sido modesto, mantemos nossa visão
positiva para o ano de 2026.

Renda Variável: fluxo estrangeiro agora, queda dos juros depois

A alta do Ibovespa em 2026 até agora foi bastante impactada pelo fluxo
estrangeiro. Acreditamos que os próximos eventos relevantes são a reunião do
Copom em março (dia 18) e o início “de fato” da campanha eleitoral a partir de abril.
Acreditamos que esses eventos devem ser os próximos “triggers” do mercado
local.

É provável que com a queda dos juros e com o desempenho positivo do Ibovespa
nos últimos meses, o fluxo de investidores locais para a renda variável seja
retomado. A enxurrada de investidores estrangeiros teve um impacto claro no
Ibovespa nos últimos meses: ações de empresas maiores tiveram desempenho
melhor do que empresas menores. Como pode ser visto abaixo, até o final de 2025
o desempenho das 10 maiores ações do Ibovespa e as demais era similar. Desde o
final de 2025 (particularmente após o “Flávio Day” em 05/dez/25), o desempenho
das empresas maiores foi nitidamente superior: +20% ante +10% das demais
ações.

Com a alta forte de 2025, o Ibovespa já não está tão barato quanto no início do ano
passado. Contudo, o valuation ainda é atrativo considerando o potencial de
crescimento de lucros, a queda dos juros e o fato da maioria das bolsas ao redor do
mundo estarem negociando com valuation muito acima do Ibovespa.

Renda fixa: queda da Selic em março:

Conforme amplamente antecipado, o Copom sinalizou que deve começar o ciclo de
cortes da Selic na reunião de março, mais precisamente no dia 18. Acreditamos
que a queda dos juros deve ser um evento importante para o mercado de renda
fixa. As taxas seguem bastante elevadas no Brasil apesar da queda dos juros ao
redor do mundo. A apreciação do Real também é um fator que deveria estar
contribuindo para a queda das taxas de juros de mercado.
Historicamente, o mercado de renda fixa apresenta bom desempenho depois do
BC confirmar o corte de juros. Não acreditamos que desta vez será diferente. A
renda fixa teve desempenho modesto em 2025 e em 2026 até agora. Acreditamos
que isso se deve ao fato da taxa Selic não ter começado a cair ainda. A eleição em
outubro é outro fator que pode estar impactando a renda fixa: historicamente o
Copom fez uma pausa no ciclo de cortes da Selic perto das eleições. Além disso,
dependendo do resultado das eleições, é possível que o Copom faça uma pausa
mais prolongada.
Como pode ser visto abaixo, durante os ciclos de corte de juros as taxas de juros de
mercado também diminuem. Isso explica o retorno positivo dos ativos de renda
fixa pré-fixados nestes períodos, principalmente aqueles com duration maior.
Desde que o Copom encerrou o ciclo de alta da Selic no meio de 2025, as taxas de
mercado mostraram uma leve queda como pode ser visto abaixo. Contudo, as taxas
reais (gráfico da esquerda) caíram pouco. Enquanto as taxas nominais caíram mais
(gráfico da direita). Isso explica o desempenho melhor do IRFM ante o IMA-B nos
últimos meses.

Em nossa visão, as taxas reais também devem diminuir nos próximos meses,
quando o Copom começar a reduzir a Selic. Contudo, destacamos novamente que
as taxas de inflação implícita nos títulos públicos ainda estão elevadas, entre 4,5%
e 6,0% para os próximos anos.

Internacional: Tech segue em modo de correção

As bolsas internacionais seguem em alta em 2026. Contudo, as bolsas americanas
continuam tendo desempenho mais fraco, ainda impactadas pela correção nas
empresas de tecnologia. Em função do valuation elevado e sinais de menor
crescimento de lucro com altos investimentos, acreditamos que o setor deve
continuar tendo desempenho relativo pior no curto prazo.
Países emergentes como Brasil, México e Coréia do Sul estão liderando as altas.
Mercados desenvolvidos como o FTSE e o Stoxx também estão tendo desempenho
positivo em 2026 até agora. A maior fraqueza está em mercados mais caros como
o Nasdaq e a bolsa da Índia. Olhando pra frente, mantemos nossa preferência por
índices mais amplos, como o WRLD11 (Investo FTSE Global Equities) e o ACWI11
(XP Trend ETF MSCI ACWI). Outra alternativa interessante é o GXUS11 (Galapagos
FTSE Global Equities Ex-US).
A rotação também está acontecendo internamente na bolsa americana: empresas
de tecnologia vem tendo desempenho mais fraco e empresas de outros setores,
particularmente empresas produtoras de commodities, estão tendo desempenho
mais forte.

Inv. alternativos: a correção das cripto moedas continua

As criptomoedas tiveram desempenho particularmente fraco nos últimos meses,
ao contrário do que ocorreu com o ouro e prata. Aparentemente o mercado vem
preferindo ativos reais e empresas mais baratas à ativos digitais e empresas de
tecnologia com valuation caro. Os dois movimentos parecem ter raízes similares.
Acreditamos que o boom das criptomoedas ficou para trás. O fluxo para ETFs
diminuiu, a correlação negativa com o dólar diminuiu e com a queda recente, toda
a alta pós-eleição (Trump em 2024) foi revertida. Olhando pra frente, acreditamos
que um repique é provável em função da queda acentuada dos últimos meses.
Contudo, o cenário atual parece bem diferente da situação há um ou dois anos
atrás. O otimismo com as criptomoedas é bem menor, o fluxo está ficando negativo
e possíveis mudanças regulatórias que poderiam gerar uma nova onda de
investimentos em criptoativos parecem ter sido esquecidas.
Estamos adicionando uma pequena alocação em prata via BSIL39 (Global X Silver
Miners ETF). Como pode ser visto abaixo, os metais preciosos seguem em
tendência de alta, mesmo com a correção recente. Além disso, as políticas
econômicas imprevisíveis nos EUA devem manter a busca por proteção em ativos
como ouro e prata.

Carteira de alocação

Mantemos nossa recomendação “under” em renda fixa pós-fixada. Apesar dos
juros elevados, vemos maior potencial de retorno na renda fixa pré e na renda
variável (e também nos fundos imobiliários). Historicamente, momentos de
fim de alta da Selic foram positivos para estes ativos (RF Pré, RV) e
acreditamos que desta vez será igual. Em particular, já adicionamos ativos de
maior risco dentro destas classes, como o IDKA na renda fixa pré (maior
duration) e small caps na renda variável (maior beta).

Na renda fixa pré, mantemos nossa visão positiva e continuamos
recomendando aumentar a duration dos ativos. O fim do ciclo de alta da Selic
foi confirmado, as taxas seguem bastante elevadas e a inflação mostra sinais
de queda. Tudo isso é favorável para investimentos em renda fixa pré-fixada.
Na renda variável local, seguimos com a posição dividida entre Ibovespa e
Small Caps (SMAC11). Historicamente, após o ciclo de alta da Selic terminar
(e principalmente durante ciclos de corte da Selic), as small caps têm
desempenho superior ao Ibovespa. As small caps tiveram desempenho fraco
no final de 2025, afetadas pela correção dos ativos locais em função de ruídos
sobre as eleições e também indiretamente afetadas pela alta de “large caps”
como Vale. Olhando para 2026, mantemos nossa convicção nas small caps.
Estamos mantendo nossa alocação “under” (ou abaixo da alocação de
referência) em ativos internacionais. Dado o nível de retorno potencial no
Brasil, vemos a alocação internacional como pouco atrativa neste momento.
Além disso, a bolsa americana, principal referência em investimentos
internacionais, está passando por uma correção e rotação interna que deve
continuar por alguns meses.
Estamos mantendo COIN11 (Buena Vista Bitcoin High Income) na alocação
internacional. Como já destacamos anteriormente, as criptomoedas são ativos
que costumam ter desempenho positivo em momentos de queda do dólar.
Além disso, a correção forte dos últimos meses indica que um repique é
provável.

Nossa alocação padrão rendeu 3,7% em 2026, 1,8pp acima do CDI como pode
ser visto acima. A alocação em cripto (COIN11) foi o maior detrator da

performance enquanto a alocação em RV local foi a maior contribuição para o
bom desempenho da alocação. A alocação em IDKA11 e DEBB11 também
geraram contribuições positivas: em ambos os casos, os ativos foram
melhores que os ativos de referência (IRFM e CDI respectivamente). O IMA-B
continuou apresentando desempenho abaixo do CDI (assim como ocorreu em
2025).

Desempenho da alocação

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