Radar de ETFs – GOEX39 | Global X Gold Explorers ETF

GOEX39 | Global X Gold Explorers ETF – Fernando Siqueira, CFA

Tese de Investimento

O GOEX39 é a BDR do ETF GOEX, gerido pela Global X, que oferece exposição ao setor de mineração de ouro por meio da replicação do Solactive Global Gold Explorers & Developers Total Return. Esse índice é composto por uma cesta de empresas que estão em fase de exploração e desenvolvimento de depósitos de ouro ao redor do mundo.

Do ponto de vista metodológico do ETF, essas empresas precisam estar listadas em bolsas regulamentadas, com ações livremente negociáveis por investidores estrangeiros e classificadas como exploradoras ou desenvolvedoras de ouro. Os componentes são ordenados por market cap free float, em que a maior empresa recebe o ranking 1, e o índice mantém entre 25 e 50 companhias. Os critérios de elegibilidade incluem:

•Produção: inferior a 500 mil onças/ano para novos entrantes e 650 mil onças/ano para empresas já integrantes.

• Market cap free float: mínimo de US$ 200 milhões para novas empresas e US$ 100 milhões para empresas já incluídas.

• Liquidez: medida pelo volume médio diário em três meses, mínima de US$ 500 mil para novos entrantes e US$ 200 mil para empresas já incluídas.

A estratégia do ETF busca capturar o potencial de retorno de empresas em fase de crescimento no setor, sendo impulsionadas pela expectativa de valorização do ouro. Nos últimos anos, o metal tem ganhado relevância entre investidores institucionais e instituições financeiras como reserva de valor alternativa ao dólar, especialmente em um contexto de desvalorização da moeda americana, aumento de tensões geopolíticas e ciclos de queda nas taxas de juros globais.

Comentários do Research

O ouro é historicamente utilizado como meio de troca e, ao longo de milênios, preservou uma sólida capacidade de manter o poder de compra dos investidores. Desde o fim do padrão-ouro, em 1971, o metal tem superado as moedas fiduciárias nesse aspecto, refletindo sua natureza escassa e sua segurança como reserva de valor. Esse desempenho é evidenciado por uma taxa média de valorização anual de cerca de 9,1% entre dezembro de 1970 e novembro de 2025, enquanto o dólar perdeu seu poder de compra.

Além disso, desde 2022, bancos centrais vêm intensificando a diversificação de reservas diante do risco de sanções e da perda de credibilidade do dólar como ativo seguro, especialmente após o congelamento de cerca de US$ 300 bilhões em reservas do Banco Central da Rússia em moedas ocidentais. Como resultado, a demanda por ouro aumentou significativamente, com compras superiores a 1.000 toneladas anuais, quase o dobro da média da década anterior. Nesse contexto, o metal ganhou maior relevância nas reservas internacionais, superando, pela primeira vez desde 1996, a participação dos títulos do Tesouro dos EUA (Visual Capitalist, 2025).

Mercado de ações das mineradoras de ouro

Em relação as vantagens da indústria, a estrutura de custos fixos das mineradoras cria um efeito de alavancagem operacional: à medida que o preço do ouro sobe, sobretudo acima dos custos operacionais, há uma expansão significativa das margens de lucro. Esse mecanismo torna o setor particularmente atrativo para investidores, uma vez que o aumento da rentabilidade tende a se traduzir em maiores retornos através de dividendos e programas de recompra de ações. Assim, diferentemente do investimento em ouro físico, as mineradoras oferecem potencial de retorno adicional via geração de fluxo de caixa aos investidores. Nesse sentido, as ações das principais mineradoras do GOEX apresentaram resultados expressivos desde 2025, com um retorno médio de 308% no acumulado, contra 171% do próprio ouro.

Apesar dos fundamentos sólidos, as ações de mineradoras de ouro possuem relevância relativamente mais fraca no mercado global. Em contrapartida, os ETFs lastreados em ouro físico já acumulam cerca de US$ 615 bilhões em ativos sob gestão, segundo dados do World Gold Council de abril de 2026. Esse descompasso sugere que as mineradoras estão sendo negociadas com desconto em relação ao ouro físico, ou seja, o atual nível de preços do metal ainda não parece plenamente refletido nas cotações dessas empresas. Diferentemente dos ETFs tradicionais, o GOEX concentra empresas de menor escala operacional e em fase de desenvolvimento das suas operações. Essa condição implica maior sensibilidade ao preço do metal, resultando em maior volatilidade, mas também potencializando retornos à medida que o ouro se valoriza.

Vale destacar também a recente tendência de consolidação na indústria de mineração, que reforça a tese de investimento do ETF. Em ciclos de alta dos metais, como o do ouro, grandes empresas e investidores tendem a adquirir mineradoras menores, ainda em fase de desenvolvimento, como forma mais eficiente de expandir sua base de ativos, em vez de investir em novos projetos do zero. Como consequência, essas companhias passam a negociar com prêmio, beneficiando o retorno do ETF. Como exemplo, em 2025 foram registradas 32 aquisições no setor de ouro, abaixo das 43 observadas em 2024, porém houve crescimento de 10% em termos de valor monetário (S&P Global, Mining M&A in 2025).

Cenário atual

A cotação do ouro acumula queda de 17% desde o pico de US$ 5.500/oz em janeiro de 2026, movimento que reflete uma expectativa de juros globais mais elevados por mais tempo, com ciclos de corte mais moderados por parte dos bancos centrais, sendo resultado dos efeitos macroeconômicos de um fim mais prolongado da guerra entre Irã e Estados Unidos. Esse cenário tem tornado o ouro um investimento menos atrativo e, por isso, parte dos investidores acabaram optando por realizar lucros após o forte rali observado no ano anterior.

No entanto, o ouro segue sustentado por fundamentos resilientes no médio e longo prazo. Incertezas inflacionárias, tensões geopolíticas e pressões fiscais ainda reforçam seu papel como ativo de proteção (“safe haven”), favorecendo a preservação da rentabilidade das mineradoras e a geração de valor aos acionistas. Nesse contexto, ao comparar o preço atual do metal com as estimativas de consenso do mercado para o fim de 2026, observa-se um upside relevante, o que torna a exposição a ativos fortemente correlacionados com o ouro, como o ETF GOEX, uma alternativa de investimento atrativa.

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