Radar de ETFs EART39 | Global X Rare Earth & Critical Materials ETF
EART39 | Global X Rare Earth & Critical Materials ETF
Tese de Investimento
O EART39 é o ETF da Global X que replica o índice Solactive Rare Earth & Critical Materials, investindo em empresas globais envolvidas na exploração, mineração, produção e beneficiamento de terras raras e outros materiais críticos, como lítio, níquel, cobre, cobalto e grafite. Esses insumos são essenciais para a expansão de tecnologias como veículos elétricos, baterias, turbinas eólicas, semicondutores, robótica e sistemas de defesa, o que torna o EART uma forma direta de capturar o crescimento da economia da inovação.

Comentários do Research
As terras raras formam um grupo de 17 elementos com propriedades magnéticas, catalíticas e ópticas difíceis de replicar, o que os torna insumos praticamente insubstituíveis em aplicações de alto desempenho tecnológico. Em pequenas quantidades, esses elementos são fundamentais para aplicações de alta tecnologia, como eletrônicos, mobilidade elétrica, energia limpa e defesa, funcionando como insumos silenciosos, mas indispensáveis, da indústria moderna. O desafio está em sua extração e separação, com o atenuante dos processos serem complexos e concentrados em poucos países, o que aumenta sua importância estratégica. Esse é o driver que o ETF EART39 busca capturar, com expansão estrutural dessa cadeia, combinando demanda crescente por materiais críticos e uma oferta ainda marcada por concentração geográfica e barreiras de processamento.

Apesar do nome, não são terras, são elementos químicos encontrados em rochas e minerais, também não são necessariamente raros na natureza, atribuíram essa denominação porque são minerais difíceis de encontrar entre as rochas e extremamente complexos de separar quimicamente uns dos outros. Os 17 elementos são compostos por 15 lantanídeos, que são quimicamente pegajosos, normalmente onde está um está os outros, algo que dificulta a separação deles sendo um dos maiores desafios da engenharia moderna, fora os 15, ainda sobram o escândio (Sc) e o Ítrio (Y) que não são lactanídeos mas tem propriedades muito semelhantes, Estão separados em dois grupos, as terras raras leves, que são mais abundantes na natureza, nesse grupo estão o lantânio (La), o cério (Ce), o praseodímio (Pr), o neodímio (Nd), o promécio (Pm), o samário (Sm), o európio (Eu), esses são mais usados como imãs de alta potência, eletrônicos e telas, veículos eletricos, petróleo e gás e catalisadores automotivos, e temos também as terras raras pesadas, que são mais escassas e estratégicas, estão aqui o térbio (Tb), o disprósio (Dy), o hólmio (Ho), o érbio (Er), o túlio (Tm), o itérbio (Yb), o lutécio (Lu), e o ítrio (Y), são mais usados como imãs de alta performance, equipamentos medicos, defesa, tecnologia aeroespacial, vidros, lentes especiais, iluminação e fósforos. À medida que a tecnologia avança, cada um desses elementos tende a ganhar relevância específica, a lista de aplicações estratégicas para esses elementos se expande ano a ano, reforçando a ideia de que o valor da linha de terras raras no quadro da tabela periódica é dinâmico e cresce em paralelo à sofisticação da economia global.
Inovação tecnológica como driver de crescimento demanda global dos minerais
Os materiais de terras raras são extremamente demandados no cenário atual, devido as suas características únicas e irreplicáveis, são muito importantes na produção de tecnologia de ponta. Nesse sentido, magnetos permanentes, polimento de vidro e cerâmica, catalisadores e aplicações metalúrgicas concentram a maior parte do consumo de terras raras. Eles estão presentes em smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas e uma ampla gama de equipamentos militares, onde são usados em ímãs permanentes, ligas especiais, sistemas ópticos e dispositivos de potência.

Os usos mais relevantes atualmente são: Inteligência Artificial, chips e semicondutores de última geração utilizam dopantes como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio para ajustar propriedades magnéticas, ópticas e de condução elétrica, melhorando desempenho e eficiência energética. Com trilhões de dólares em aceleradores de IA previstos para serem embarcados nos próximos anos, a pressão por materiais de chip que incorporam terras raras deve crescer de forma acelerada. Defesa, um único caça F‑35 concentra centenas de quilos de materiais de terras raras em sistemas de mira, radar, atuadores, amplificadores e revestimentos furtivos, enquanto submarinos e outros equipamentos navais exigem toneladas adicionais desses elementos ao longo de sua construção. Armazenamento de energia e veículos elétricos, baterias em escala de rede e motores de tração dependem de ímãs permanentes de alto desempenho à base de neodímio e disprósio; estima‑se que a maior parte dos EVs hoje utilize motores de ímã permanente, com até alguns quilos de terras raras por veículo.

Com as vendas globais de carros elétricos projetadas para superar dezenas de milhões de unidades por ano até 2030, garantir cadeias de suprimento estáveis de ETRs torna‑se crítico para o ritmo da eletrificação. Além disso, o avanço de sistemas não tripulados, drones, sensores habilitados por IA e, no horizonte, computação quântica adiciona novas frentes de demanda em motores de precisão, atuadores e sistemas ópticos. Somando todos esses vetores, estimativas recentes apontam para um aumento de aproximadamente 60-70% na demanda global por ETRs até 2040, reforçando que o acesso a esses materiais pode se tornar um fator determinante para a liderança tecnológica em IA, defesa e energia limpa.
Crescimento Acelerado da Oferta para Atender a Demanda
A oferta respondeu em forte aceleração, séries históricas compiladas por USGS e Benchmark mostram que a produção anual de óxidos de terras raras mais do que quadruplicou nesse intervalo, saindo de patamares abaixo de 100 mil toneladas para a casa de 400 mil toneladas.
Esse movimento, porém, ocorreu de forma altamente concentrada, com a China ocupando progressivamente o espaço deixado por produtores ocidentais ao longo dos anos 1990 e 2000, enquanto outros países entraram de forma mais tímida na década passada.

Ainda assim, diferentes estudos alertam que, mesmo com esse salto, a oferta de elementos específicos usados em magnetos, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, tende a permanecer apertada frente à demanda projetada, principalmente se novos projetos enfrentarem atrasos de licenciamento ambiental, conflitos locais ou restrições de capital. A oferta ainda corre atrás da demanda projetada, principalmente nos elementos usados em ímãs de alta performance.
Em um mercado estruturalmente apertado é verdade que novos projetos podem trazer volatilidade de preços no curto prazo, mas qualquer atraso de licenciamento ou problema político costuma se traduzir rapidamente em repique de preços e em resultados melhores para as empresas do índice que o EART replica.

Dentro desse quadro global, o Brasil aparece como um potencial player de médio prazo. O país detém algo como 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, o que o coloca na segunda posição mundial e representa por volta de 23% do total global, atrás apenas da China. Apesar dessa abundância geológica, a produção efetiva ainda é mínima pela escassez de investimentos na infraestrutura de extração, ainda com a indústria em fase inicial agravado por regulações e movimentos ambientais que abominam a metodologia utilizada para extração dos elementos, em 2024, o Brasil respondeu por cerca de 20 toneladas de óxidos de terras raras, menos de 1% da oferta mundial. Apesar disso a indústria começa a desenvolver no Brasil criando uma visão de futuro na tese Brasil de terras raras.
Neste cenário o país hoje é muito mais uma opção de longo prazo na tese de terras raras do que um fornecedor capaz de aliviar, no curto prazo, o gargalo dominado pela China, razão pela qual, no estágio atual, a forma mais direta de capturar o tema continua sendo via ETFs globais como o EART.
Cenário atual explica o desemprenho do ETF
O momento atual combina fundamentos estruturais favoráveis com um histórico recente de forte entrega de retorno pelo EART demonstrando o ganho de importância que as terras raras ganharam nos últimos anos. O ETF acumula alta superior a 76% nos últimos 12 meses, contra algo em torno de 20,16% do índice MSCI US Equity no mesmo período, refletindo tanto a recuperação dos preços de metais ligados à transição energética quanto uma reprecificação do risco de chokepoint em terras raras.
A volatilidade, no entanto, é elevada e inerente ao tema, choques de preços de commodities, mudanças regulatórias em grandes produtores e avanços tecnológicos em alternativas de materiais podem gerar correções acentuadas no curto prazo. Para o investidor com horizonte longo, a combinação de demanda estrutural em alta, concentração geopolítica de oferta e agenda robusta de investimentos em diversificação de cadeia torna o EART um veículo particularmente interessante como posição satélite, capaz de agregar convexidade ao portfólio em um conjunto de tendências que dificilmente sairá do centro do debate econômico nas próximas décadas.

O fato de o EART ter entregado um resultado expressivo em 12 meses mostra como o mercado começou a precificar essa combinação de demanda forte e risco de oferta concentrada. Faz sentido tratar o EART como posição satélite de longo prazo, para clientes que aceitam volatilidade em troca de participar de um tema estrutural ligado à transição energética e à tecnologia, e não como substituto de um ETF amplo de ações americanas.