BOTZ39 | COBERTURA DE ETF
Exposição global à cadeia de valor da Robótica e Inteligência Artificial
Global X Robotics & Artificial Intelligence ETF (BOTZ39, BOTZ)

O BOTZ39 oferece acesso, pela B3, a uma cesta global de empresas posicionadas para se beneficiar da maior adoção e utilização de robótica e inteligência artificial, incluindo líderes em automação industrial, robótica não-industrial e veículos autônomos. Em um momento em que a IA deixa de ser um fenômeno puramente digital para migrar para o mundo físico, o BOTZ39 posiciona o investidor brasileiro no centro dessa transição. O BOTZ39 é o único BDR de ETF listado na B3 com exposição exclusiva e diversificada a essa cadeia de valor, reunindo em uma única cota fabricantes industriais japoneses e europeus, líderes americanos em semicondutores e IA, cirurgia robótica e os novos players chineses que estão acelerando o ciclo de inovação e redução de custos do setor.
Principais Pontos do ETF:
I) Acesso simples e diversificado à maior transformação produtiva do século: BOTZ39 oferece, em uma única cota negociada diretamente na B3, exposição a uma cesta global de empresas de robótica e automação, sem a necessidade de selecionar individualmente companhias em um setor altamente técnico, geograficamente disperso e em rápida evolução.
II) Exposição a toda a cadeia de valor da robótica física: Diferente de ETFs de tecnologia amplos, o BOTZ39 aplica um filtro específico de elegibilidade, reunindo em uma única carteira fabricantes de robôs industriais, desenvolvedores de automação logística, líderes em robótica cirúrgica, fornecedores de semicondutores para IA física e os novos entrantes no segmento de humanoides. Essa abordagem de cadeia de valor completa garante ao investidor participação ao longo de todas as etapas de criação de valor da economia robótica.
III) Proteção cambial e acesso ao epicentro tecnológico global: Por investir em empresas de mercados desenvolvidos ao redor do mundo e incorporar naturalmente a variação de moedas fortes, o BOTZ39 funciona como proteção contra desvalorizações do real, sem a necessidade de abrir conta no exterior ou lidar com a complexidade operacional dos mercados globais.

CARACTERÍSTICAS DOS ETFS
O que é um ETF e quais suas características?
Um ETF é um fundo negociado em bolsa: você compra e vende cotas em tempo real na B3, com carteira transparente, metodologia pública, taxas geralmente baixas e boa liquidez. Em uma única cota, ele replica um índice de referência, podendo dar acesso a ações locais ou internacionais, renda fixa, criptoativos e commodities (ex.: ouro), o que facilita a diversificação sem montar posição papel a papel. Outra característica importante é a ausência de come-cotas: ETFs não sofrem a antecipação semestral de IR típica de alguns fundos. Nos ETFs que reinvestem proventos, dividendos, JCP, cupons e ganhos da carteira são reaplicados dentro do próprio fundo sem tributação imediata para o cotista; o imposto incide depois, conforme a regra do tipo de ETF e quando há alienação da cota. Já nos ETFs que distribuem proventos, há IR de 15% sobre o valor pago, normalmente retido na fonte pelo administrador. Quanto à cota em si, o ganho de capital em ETFs de ações/cripto é, em geral, 15% (20% em day trade), sem a isenção de vendas até R$ 20 mil, e o recolhimento via DARF é de responsabilidade do investidor; em ETFs de renda fixa, o IR é retido na fonte, na prática usualmente 15% dado o prazo médio das carteiras.
Como entender e analisar a liquidez de um ETF?
A liquidez de ETFs não se limita ao “volume de tela”. Diferente de alguns ativos, o ETF é um fundo aberto: novas cotas podem ser criadas ou destruídas continuamente conforme a demanda. Esse mecanismo, operado por participantes autorizados e formadores de mercado, transforma fluxos de compra e venda em criação/remoção de cotas, mantendo o preço de negociação muito próximo ao valor da cesta do índice (iNAV). Assim, ágio ou deságio relevantes tendem a ser arbitrados rapidamente, porque o número de cotas se ajusta. Na prática, ordens grandes não dependem apenas do book visível; elas podem ser atendidas por meio da criação de cotas, com custo ligado ao spread e à liquidez dos ativos da carteira (e não ao “volume do ETF” em si). Por isso, ao avaliar liquidez, é mais importante entender quão negociáveis são as ações/títulos que compõem o índice, além da presença de market makers e do histórico de spreads. Em carteiras com papéis menos líquidos, os spreads podem ser maiores e o custo de transação subir; em índices amplos e líquidos, a formação de preço costuma ser mais eficiente, com menor desvio do índice e execução mais previsível.

O crescimento da indústria de ETFs
O mercado de ETFs no Brasil vive um momento de expansão: são hoje mais de 150 ETFs listados na B3 e os ativos sob gestão já alcançaram R$ 100 bilhões, um salto expressivo frente aos R$ 54 bilhões de 2024. Mesmo assim, o segmento representa menos de 1% da indústria de fundos brasileira, que soma R$ 10,7 trilhões, o que evidencia o espaço ainda disponível para crescer. Nos EUA, a dificuldade recorrente da gestão ativa em superar o mercado e os custos mais baixos dos indexados fizeram os fundos de índice ultrapassarem a gestão ativa em novembro de 2025: US$ 19,12 tri contra US$ 17,46 tri. Globalmente, a indústria de ETFs atingiu US$ 19,44 tri no mesmo período. Canadá e Japão já acumulam, respectivamente, cerca de US$ 563 bi e US$ 648 bi em ETFs; a América Latina toda soma pouco mais de US$ 22 bi, contexto que reforça o potencial de crescimento do Brasil.
O MERCADO DE ROBÓTICA
Robótica: quando a inteligência artificial encontra o mundo físico
Toda transformação tecnológica de grande escala carrega consigo uma infraestrutura física que a torna possível. A eletrificação dependeu de usinas e linhas de transmissão. A era digital dependeu de semicondutores e data centers. A próxima etapa da revolução da IA é diferente: ela não se limita a processar dados, ela age. Robôs são a expressão mais concreta da IA no mundo real. Sistemas que combinam percepção, raciocínio e ação física para executar tarefas em ambientes construídos para humanos. Robótica não é uma tecnologia nova. O primeiro robô industrial moderno foi instalado em uma linha de montagem da General Motors em 1961, e desde então a automação fabril tem sido um motor silencioso de produtividade em economias industrializadas. O que mudou não é a existência da robótica, mas a velocidade com que suas capacidades estão se expandindo. Até recentemente, a principal limitação dos robôs não era o hardware, mas o software: sistemas rígidos, programados para tarefas estreitas, incapazes de se adaptar ao ambiente. Essa limitação está sendo removida pelos mesmos avanços em modelos de linguagem e visão computacional que transformaram a IA digital. Em 2024, quase 4,7 milhões de robôs operavam em fábricas ao redor do mundo, aproximadamente o triplo do nível de uma década atrás. Mas esse crescimento ainda não captura o potencial da próxima fase: robôs capazes de navegar em ambientes não estruturados, interpretar instruções em linguagem natural e colaborar com pessoas sem grades de proteção. Esse salto qualitativo é o que transforma a robótica de uma indústria madura em uma das oportunidades de investimento mais relevantes da próxima década.
A base econômica: produtividade, relocalização industrial e escassez de mão de obra
A tese da robótica tem uma âncora econômica que vai além da inovação tecnológica. Três forças estruturais estão convergindo para tornar a automação não apenas atraente, mas necessária para economias desenvolvidas. A primeira é a produtividade. Um aumento de 1% na densidade de robôs industriais foi associado a um ganho de 0,8% na produtividade do trabalho. Em setores como automotivo, eletrônicos e farmacêutico, a automação deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser custo de entrada. Economias como Coreia do Sul, Singapura e Japão constroem sua competitividade sobre densidades de automação que os EUA ainda não alcançaram: em 2023, os EUA tinham cerca de 295 robôs por 10 mil trabalhadores industriais, contra mais de 1.000 na Coreia do Sul. Esse gap não é fraqueza permanente; é demanda latente. A segunda é a relocalização industrial. A fragmentação das cadeias globais de suprimento, acelerada pela pandemia e pelas tensões geopolíticas entre EUA e China, colocou a capacidade manufatureira doméstica no centro da agenda de política industrial americana. Gastos com construção industrial nos EUA se mantiveram acima de US$ 200 bilhões anuais em 2025, com semicondutores e farmacêuticos liderando novos projetos. Fábricas modernas construídas nesse ciclo são projetadas para automação desde o início. O pipeline de investimentos anunciados para expansão de capacidade manufatureira americana desde janeiro de 2025 supera US$ 1,2 trilhão. A terceira é a demografia. Mercados de trabalho apertados e populações envelhecendo nos países desenvolvidos tornam a escassez de mão de obra uma realidade estrutural, não cíclica. Em setores como logística, saúde e manufatura de precisão, a robotização deixa de ser escolha e passa a ser necessidade operacional.

O MERCADO DE ROBÓTICA
2026: três forças convergindo para uma inflexão
O ambiente atual é especialmente propício para a aceleração da robótica. Três vetores simultâneos estão tornando 2026 um ano potencialmente pivô para a adoção em escala.
Tecnologia em salto qualitativo. Os avanços em chips e modelos de IA expandiram materialmente as capacidades dos robôs. A Nvidia lançou sua plataforma Jetson Thor para IA física em 2025, entregando 7,5 vezes mais poder computacional que a geração anterior com 3,5 vezes mais eficiência energética. Modelos de linguagem de larga escala estão sendo integrados a sistemas robóticos para combinar visão, linguagem e raciocínio na execução de tarefas. Por anos, a robótica foi limitada não pelo hardware, mas pela inteligência embarcada. Esse gargalo está sendo resolvido.
Custos em queda sistemática. O preço médio de um robô industrial caiu de US$ 31.100 em 2018 para cerca de US$ 25.600 em 2024. A ascensão dos modelos de robotics-as-a-service (RaaS) permite que empresas menores contratem capacidade robótica como despesa operacional recorrente, sem o capex de aquisição de equipamentos, ampliando dramaticamente o mercado endereçável da automação.
Humanoides: a próxima plataforma. O debate sobre humanoides saiu dos laboratórios e entrou nos planos estratégicos das maiores empresas do mundo. A lógica é que o mundo foi construído para humanos, e humanoides são projetados para operar nele sem exigir adaptações do ambiente, invertendo a lógica histórica da automação industrial. Tesla, Hyundai e Boston Dynamics já têm planos concretos de produção em massa para 2027 e 2028, enquanto a chinesa Unitree precifica seu humanoide G1 em cerca de US$ 13.500, ilustrando a velocidade de queda de custos no ecossistema asiático.
O Morgan Stanley projeta que o mercado global de humanoides pode chegar a US$ 5 trilhões até 2050, ancorado em um mercado de trabalho global de cerca de US$ 30 trilhões. É importante, porém, calibrar as expectativas: a autonomia dos humanoides permanece extremamente difícil e pode haver um período de correção entre o entusiasmo atual e a entrega comercial em escala. O horizonte relevante para o investidor é de três a cinco anos, não de doze meses.
China: do maior comprador ao maior fabricante
A China foi por muito tempo definida como o maior mercado para robôs importados. Em 2024, fábricas chinesas instalaram 54% de todos os robôs industriais vendidos globalmente, operando uma base instalada de mais de 2 milhões de unidades. Mas a narrativa mudou: em 2024, fabricantes chineses forneceram pela primeira vez mais de 50% dos robôs comprados no próprio país, superando fornecedores estrangeiros que historicamente dominavam o mercado. O paralelo com o ciclo de veículos elétricos é preciso. A combinação de política industrial agressiva, ecossistema de componentes verticalizado, iteração rápida e pressão de custo sistêmica está criando no segmento de robótica as mesmas condições que produziram a liderança chinesa nos EVs. Empresas como Shenzhen Inovance e Horizon Robotics já figuram entre as posições do índice do BOTZ, capturando esse movimento desde dentro da carteira.

SOBRE O ETF E O ÍNDICE

Sobre a Gestora – Global X
A Global X foi fundada em 2008 e faz parte do Grupo Mirae Asset, com escritórios em mais de 60 países e mais de US$ 700 bilhões em ativos sob gestão. Com sede em Nova York, a gestora é especializada em ETFs temáticos, contando com mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão em ETFs e uma reputação consolidada por identificar tendências estruturais de longo prazo e transformá-las em produtos de investimento acessíveis. No Brasil, a Global X está presente via BDRs de ETF listados na B3, com produtos que cobrem temas como robótica, inteligência artificial, urânio, data centers e renda com covered call.
Sobre a Administradora do Índice – Indxx
A Indxx é uma provedora global de índices fundada em 2005, com sede em Nova York, especializada em índices temáticos e de nicho. Com mais de US$ 45 bilhões em ativos rastreando seus benchmarks ao redor do mundo, a empresa desenvolveu uma ampla biblioteca de índices voltados para megatendências globais. É também a administradora do índice do BAIQ39, outro ETF da família Global X disponível na B3.
O Índice Referência: Indxx Global Robotics & Artificial Intelligence Thematic Index
O Indxx Global Robotics & Artificial Intelligence Thematic Index foi desenvolvido para capturar o desempenho de empresas globais posicionadas para se beneficiar da maior adoção e utilização de robótica e inteligência artificial. A construção do índice segue três etapas.
Na Etapa 1 — Universo elegível, os títulos são filtrados por critérios quantitativos mínimos: capitalização de mercado de pelo menos US$ 300 milhões para novos entrantes (US$ 240 milhões para constituintes já presentes), volume médio diário negociado nos últimos seis meses de pelo menos US$ 2 milhões e free float mínimo de 10%. A listagem deve ser em mercado desenvolvido ou na China, via Hong Kong Stock Connect, ADR ou GDR.
Na Etapa 2 — Seleção temática, as empresas aprovadas são classificadas em cinco categorias: (i) Robótica Industrial e Automação; (ii) Veículos Não Tripulados e Drones; (iii) Robótica Não-Industrial; (iv) Tecnologia de Humanoides; e (v) Inteligência Artificial aplicada a sistemas físicos e robóticos, excluindo empresas focadas exclusivamente em automação de software ou IA empresarial sem integração com sistemas robóticos. As empresas são ainda classificadas em Pure-Play (mais de 50% da receita no tema), Pré-Receita (em desenvolvimento ativo, sem receita ainda gerada) e Receita-Diversificada (menos de 50% da receita no tema, mas com contribuição relevante ao setor). O índice comporta até 100 constituintes, com empresas Receita-Diversificada limitadas a no máximo 10 posições.
Na Etapa 3 — Ponderação e limites de concentração, os constituintes são ponderados por capitalização de mercado, com restrições aplicadas a cada rebalanceamento: Pure-Play e Pré-Receita ficam limitadas a 8% individualmente; Diversified-Revenue a 2% individualmente e 10% em conjunto; empresas chinesas são limitadas a 10% do índice em agregado; e constituintes com peso acima de 5% não podem superar 40% do total. O rebalanceamento é semestral, ocorrendo na segunda sexta-feira de março e setembro.
ANÁLISE DO ÍNDICE
Composição por país
Os Estados Unidos lideram a carteira com 32,1% do portfólio, reflexo da posição do país como epicentro global do desenvolvimento de IA e robótica avançada, concentrando nomes como Nvidia, Intuitive Surgical e Alphabet. O Japão aparece em segundo lugar com 29,7%, representado pelos grandes fabricantes de robótica industrial do mundo, como Keyence, Fanuc, SMC e Daifuku, empresas com décadas de operação, margens elevadas e bases instaladas globais. A China surge como terceira maior exposição com 19,7%, refletindo a ascensão do ecossistema local de automação, com nomes como Shenzhen Inovance e Horizon Robotics. A Suíça contribui com 9,3%, via ABB, uma das maiores fabricantes globais de robôs industriais. Coreia do Sul (3,8%), Hong Kong (1,7%) e Inglaterra (1,0%) completam a carteira junto a outros mercados que somam 2,7%.

Composição por ação
As dez maiores posições do BOTZ39 ilustram bem o equilíbrio entre a robótica industrial consolidada e a camada de tecnologia que está habilitando sua próxima geração. A Keyence lidera com 9,38%, seguida pela ABB (8,84%) e Fanuc (8,20%), três dos maiores fabricantes e fornecedores de automação industrial do mundo. A Nvidia aparece em quarto lugar com 8,09%, capturando a camada de chips e plataformas de IA física que alimentam a nova geração de sistemas robóticos. A Intuitive Surgical com 6,89% representa a robótica cirúrgica, um dos segmentos de maior valor agregado e mais defensivos da carteira, com base instalada de mais de 11.000 sistemas da Vinci ao redor do mundo. SMC (4,62%) e Shenzhen Inovance (4,13%) reforçam respectivamente a presença japonesa em componentes de automação e o ecossistema chinês em ascensão. Daifuku (3,44%), Horizon Robotics (2,43%) e Alphabet (2,40%) completam o bloco, reunindo logística automatizada, IA embarcada em robótica e infraestrutura de software. No total, as dez maiores posições representam aproximadamente 58% do patrimônio do fundo.

RESULTADOS E RECOMENDAÇÃO

Principais riscos associados
O BOTZ39 reúne riscos típicos de um ETF setorial de ações e, ao mesmo tempo, riscos específicos do setor de robótica e automação. O primeiro é o risco de mercado: por se tratar de um ETF de ações com concentração temática, o fundo pode cair de forma expressiva em momentos de estresse global, aperto monetário ou deterioração do apetite por risco, independentemente dos fundamentos das empresas que compõem o índice. Há também o risco de valuation: empresas de robótica industrial de alta qualidade como Keyence e Fanuc negociam a múltiplos historicamente elevados. O P/L estimado da carteira é de 29x, acima da média do mercado americano amplo. Qualquer revisão para baixo nas expectativas de crescimento dos lucros pode gerar compressão de múltiplos expressiva. O risco de execução tecnológica é específico do tema: a tese dos humanoides e da automação de nova geração é estruturalmente convincente, mas o hiato entre demonstração e entrega comercial em escala é real. Analistas do Morgan Stanley alertam explicitamente que 2026 não deve ser visto como o ano em que humanoides totalmente autônomos se tornam comuns, e que pode haver um período de correção de expectativas entre o hype atual e a entrega real. Existe ainda o risco de concentração geográfica: Estados Unidos e Japão respondem juntos por quase 62% do portfólio, tornando o fundo sensível às dinâmicas específicas desses dois mercados. No caso americano, o risco está ligado ao ambiente regulatório e macroeconômico, incluindo políticas de exportação de tecnologia e decisões do Federal Reserve. No caso japonês, destacam-se a volatilidade do iene e o crescimento mais lento da economia local, que pode afetar os fabricantes industriais mesmo em um cenário globalmente favorável para o tema. Por fim, vale destacar o risco cambial: por não contar com hedge, o retorno em reais incorpora diretamente a variação de moedas internacionais. Em cenários de apreciação do real, o ganho em moeda doméstica pode ser reduzido ou negativo mesmo com boa performance do ETF em dólar.
Recomendação
A tese do BOTZ39 é sólida e ancorada em fundamentos econômicos concretos. A robótica não é uma aposta especulativa em tecnologia futura: é uma indústria com décadas de história comprovada em ganhos de produtividade, que está passando agora por uma inflexão tecnológica que expande dramaticamente seu mercado endereçável. A convergência entre queda de custos, avanços em IA física e suporte de política industrial nos países desenvolvidos cria um ambiente raro em que os fatores de curto e longo prazo apontam na mesma direção.
O principal diferencial do BOTZ39 em relação a ETFs de tecnologia amplos está na especificidade da exposição: ao reunir fabricantes industriais consolidados, líderes americanos em IA e saúde e players chineses emergentes em uma única carteira, o ETF captura simultaneamente a renda do ciclo atual de automação e o potencial de crescimento da próxima geração de robótica inteligente.
A leitura mais equilibrada é tratar o BOTZ39 como uma posição temática de convicção dentro de uma carteira diversificada, com horizonte de longo prazo. O ETF pode fazer sentido para investidores que aceitam volatilidade de renda variável global, buscam exposição dolarizada e têm horizonte compatível com um ciclo de transformação estrutural ainda em curso.
RATING HUB DO INVESTIDOR
O Rating de ETFs Hub do Investidor foi criado para avaliar os ETFs em quatro dimensões complementares. O objetivo é oferecer uma visão independente e criteriosa sobre a qualidade de cada produto, ajudando o investidor a tomar decisões mais informadas.
Tese – avaliamos a relevância e o momento da tese ou estratégia por trás do ETF. Por relevância, consideramos a importância dessa exposição dentro de uma carteira de investimentos bem diversificada, a pertinência do tema no cenário econômico (para ETFs temáticos) e se a estratégia em questão tem embasamento técnico e teórico (para ETFs de estratégias específicas e fatores).
Índice – avaliamos a qualidade das regras que definem a carteira do ETF. Analisamos os critérios de seleção e exclusão de ativos, a metodologia de ponderação adotada e a existência de tetos de concentração que evitem exposição excessiva a poucos papéis.
Eficiência – analisamos a taxa de administração e os custos gerais do fundo, a política de aluguel de ações e se essa receita é repassada ao cotista, além da eficiência tributária tanto dentro do fundo quanto para o investidor final.
Liquidez – por ser um fundo aberto com possibilidade de criação ou destruição de cotas a qualquer momento, a liquidez do ETF em si não é o único fator que impacta a sua facilidade de negociação e o spread entre compra e venda. Para isso, precisamos analisar a presença de formadores de mercado contratados, volume médio negociado em bolsa e principalmente, a liquidez dos ativos subjacentes.

Tese (4/5) – O BOTZ39 captura um dos temas mais relevantes e com potencial de crescimento no atual momento tecnológico. O BOTZ39 é o único ETF na B3 com exposição exclusiva e rigorosa a esse tema. No entanto, enxergamos o produto como uma posição complementar, e não como alocação central.
Índice (4/5) – O Indxx Global Robotics & Artificial Intelligence Thematic Index apresenta metodologia clara e bem fundamentada, com critérios de elegibilidade que filtram empresas com exposição real ao tema. A cobertura multicamada da cadeia de valor, garante ao fundo uma diversidade de perfis que reduz o risco de concentração excessiva em um único segmento. Um ponto de atenção relevante é que a classificação das empresas nas categorias temáticas passa por definições discricionárias da equipe da Indxx, não sendo totalmente replicável ou transparente para o investidor externo, o que dificulta a avaliação independente do processo de seleção. A reconstituição semestral é positiva, pois atualiza a carteira com maior agilidade do que índices com rebalanceamento apenas anual.
Eficiência (3/5) – A taxa de administração de 0,68% ao ano é razoável para um ETF temático e especializado, mas acima de ETFs de tecnologia amplos disponíveis como BDR. Tributariamente, o ETF segue o padrão dos BDRs: dividendos recebidos pelas empresas da carteira são tributados em 30% antes de chegarem ao investidor e sofrem ainda uma taxa de até 3% do banco depositário. O ganho de capital na venda das cotas é tributado em 15% via DARF.
Liquidez (4/5) – O mercado primário do BOTZ na Nasdaq é altamente negociado, com patrimônio líquido elevado, garantindo profundidade na criação e destruição de cotas do BDR na B3. O BOTZ39 conta com formador de mercado contratado, o que contribui para controlar o spread e garantir liquidez ao longo do pregão. O volume no mercado secundário da B3 ainda é mais limitado, mas a estrutura do fundo aberto e a liquidez dos ativos subjacentes mitigam esse risco estruturalmente.
DISCLAIMER
Este relatório tem como principal função auxiliar o investidor a tomar decisões sobre seus investimentos, contudo, a responsabilidade é única e exclusiva do mesmo por qualquer compra ou venda de ativos financeiros. Cada pessoa tem um perfil de investimento, e deve sempre estar atento se este ativo, objeto desta análise, está de acordo com o seu. Ressaltamos que este relatório não tem nenhuma promessa de ganhos futuros e existem variáveis que podem favorecer, ou não, o valor mobiliário, as quais, não conseguimos prever com exatidão. As informações contidas neste documento não têm garantia de acerto, e é aconselhado utilizar mais de uma fonte, assim, o investidor pode tomar melhores decisões de seus investimentos. Todo investimento possui riscos, e o leitor deste relatório deve estar ciente que existe o risco de perda do capital investido. Para fins de transparência, informamos que este conteúdo é produzido mediante remuneração. Em razão disso, e considerando as atividades do grupo econômico e/ou de partes relacionadas à produção e distribuição deste relatório, podem existir potenciais conflitos de interesse, incluindo, sem limitação: (i) interesses financeiros e/ou comerciais relevantes em relação ao emissor e/ou aos valores mobiliários analisados; (ii) eventual participação, direta ou indireta, em operações de negociação envolvendo tais valores mobiliários; e/ou (iii) recebimento de remuneração por outros serviços eventualmente prestados ao emissor ou a partes a ele relacionadas. Nos termos da Resolução da CVM nº 20/2021, o analista Ricardo Penha Filho, CNPI 9178, responsável por todas as informações do relatório acima, declara que as recomendações refletem única e exclusivamente o seu ponto de vista, além de terem sido elaboradas de forma independente. Ricardo Penha Filho – Analista CNPI 9178